Uma cachaceira (mais do que) safada em: O prazer do vinho

1 ago

Para #CachaceiraSafada que é #CachaceiraSafada  histórias sobre os prazeres do corpo e da alma, não podem faltar. Foi pensando nisso que a minha querida amiga – e agora parceira de blog – Elaine Mesoli estará trazendo para vocês, todas as segundas feiras, as histórias da Bia: uma garota de programa apreciadora das melhores bebidas, do sexo e da boemia.

Sem mais, o primeiro conto da série ‘Uma cachaceira (mais do que) safada em: O prazer do vinho.

Por Elaine Mesoli

Era sábado. Dia de sair pra balada. Na verdade poderia ser dia de comprar umas garrafas de cerveja ou de vinho e beber em casa mesmo, mas minha vontade era de sair pra noite. Sentir um corpo novo, um sabor novo, um beijo novo. O prazer da caça.

Cabelos prontos, banho demorado. O perfume era Fantasme de Ted Lapidus. Afrodisíaco. Espartilho, meia 7/8, tudo preto e vermelho, comprado com o dinheiro do cliente que eu tinha atendido na noite anterior. Italiano da região de Piemonte e dono de uma vinícola. Bom de cama e que sempre que estava no Brasil achava que eu era namorada dele, e não se importava de pagar por isso.

Enquanto me vestia, abri um dos vinhos trazidos por ele. Um Barolo. Tinto. Encorpado. Seco. Envelhecido por cinco anos e do tipo Reserva. A safra especial fazia com que eu me sentisse da mesma forma. Me sentia perigosa. Escolhi um vestido que delineava minhas formas e possuía um decote que realçava meus seios já intumescidos pelo prazer e relaxamento que o vinho provocava. Era sempre assim. O álcool sempre foi meu fiel companheiro. Vinho, cerveja, tequila, champanhe, vodka… Não importa, sempre tem uma história com homens, mulheres e vários copos para eu contar na manhã seguinte.

Maquiagem pronta: batom vermelho, olhos negros. Escarpim bem alto, por que sou baixinha e minhas pernas grossas e bunda grande acabavam por me mostrar cheinha. E mais alta, sou apenas um mulherão, daquelas cheia de carne e gostosa. Nunca passei na rua pra não ser notada. Nunca lancei um olhar de soslaio para não perceber que o homem da mesa ao lado estivesse deixando de me notar. E meu meio sorriso acompanhado de um olhar quedo e uma mordida no canto da boca ajudavam a compor a imagem de desejo inocente e mal disfarçado.

Mais uma taça de vinho e estava pronta.  O território de caça era uma balada com um monte de rapazes bonitos. Não ia a trabalho. Ia me divertir. Beber e quem sabe encontrar um homem que me apetecesse os sentidos. Que saciasse a sede e matasse a fome. Chamei um taxi e desci para esperá-lo na portaria. O zelador se prontificou e acendeu meu cigarro. Ele não fumava, mas sempre mantinha um isqueiro por perto.

Baco estava ajudando e apareceu à minha frente um semideus enviado por ele. Não era o taxista. Era o mais novo vizinho do andar de baixo. Puxou conversa quando me viu fumando e ficamos ali, conversando. Moreno, cabelos em desalinho, camisa branca com mangas arregaçadas e cabelo no peito. Ele trazia uma caixa de vinhos que eu não conseguia identificar. Eu, já entorpecida pelos vapores do Barolo que bebera antes de sair, não parava de olhar para a boca daquele belo espécime. O gosto do vinho ainda dançava em minha boca, ressaltado ainda mais pelo tabaco. Eu queria aquele homem. Esqueci completamente da balada. Perguntei que vinho era sem prestar atenção na resposta e ele me convidou para bebê-lo com ele. Aceitei. Mandei dispensar o taxi. Nada mais me importava, só aquela voz, aquele corpo e o vinho que eu beberia usando ele como taça.

Não neguei meu desejo, tampouco o escondi. A eletricidade era palpável. Ele também me queria. Entramos em seu apartamento, ele pegou as taças e antes que pudesse perceber estávamos transando na varanda com vista para o mar. Ele seria minha taça. Eu fui a dele, que sorvia o vinho enquanto me fazia gozar.

Acordei no meio da noite. Ao redor garrafas vazias, roupas espalhadas, desejo satisfeito. Tomei o resto do vinho esquecido no fundo de uma taça, peguei minhas roupas e subi as escadas. Nua. Corpo ainda vermelho marcado pelo amor e pelo vinho.

2 Respostas to “Uma cachaceira (mais do que) safada em: O prazer do vinho”

  1. Elaine Mesoli 1 de agosto de 2011 às 10:50 PM #

    Rótulo, querido Erick, Para quê, se o que importa é o conteúdo? Bebamos!

  2. Erick Mendonça 1 de agosto de 2011 às 3:44 PM #

    Que se dane a procedência, quando o desejo bate, o rótulo nem importa tanto xD

Apreciando sem moderação!

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